Assim como disse o poeta, nenhum homem é uma ilha. Somos histórias, a nossa casa, nossa família, nossas amizades, nossa rotina e muito mais. A vida como ela é tece uma identidade que é dinâmica e costurada com territórios que ocupamos.
Mas e quando passamos por mudanças bruscas ou intensas? Mudar de país é um dos muitos exemplos disso. Continua-se brasileiro, mas se ganha também um novo lugar: o de imigrante.
O processo de se adaptar a um novo lugar e a uma nova cultura é desafiador, muitas vezes acarretando no processo de adoecimento psíquico de algumas pessoas. Afinal, precisa-se revisitar muito do que constroi um sujeito:
-o que levamos conosco e o que fica, de bagagem física e simbólica
-como nutrir relações à distância
-como construir novas relações
-até onde se adaptar ao lugar novo, até onde manter-se como se era para não perder sua autenticidade.
-como lidar com a xenofobia e outras formas de intolerância
-quais novos sentidos de pertença para se construir
-como construir perspectivas de vida num outro país sem reduzir a própria identidade e as próprias angústias somente ao fato de ser um imigrante.
Justamente por sermos seres sociais, a pertença e o direito humano de migrar devem ser vividos com cuidado. Há que se negociar os sonhos com as condições possíveis de uma nova realidade. Isso, sem perdermos de vista uma vida que faça sentido e na qual possamos nos reconhecer. Construir uma nova vida deve ser mola propulsora para viver novas formas de bem-estar e saúde mental e não de perdê-los.